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Fave
"Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida com alegria, trazendo consigo os seus molhos." (salmo 126)


Textos:
Jó 39.27-40 “Ou é pelo teu mandado que remonta a águia e faz alto o seu ninho? Habita no penhasco onde faz a sua morada, sobre o cume do penhasco, em lugar seguro. Dali descobre a presa; seus olhos a avistam de longe. Seus filhos chupam sangue; onde há mortos ali ele está.”
A águia é conhecida em toda terra como a rainha das aves. Ela é a ave mais forte que existe na terra, podendo conduzir em vôo animais pequenos e até mesmo uma criança, tamanha sua resistência. Ela é a ave que voa mais alto, somente igualada em capacidade de vôo pelo condor. Na antiguidade, vários países e conquistadores usavam como insígnias de seus exércitos a figura de uma águia. Os exércitos romanos, os impérios da Rússia, Áustria, Prússia e até mesmo Napoleão também adotaram a águia como brasão. Muito se tem falado e ensinado acerca das águias. Muitas lendas se criaram a respeito dela.
Constrói o ninho no alto
A águia constrói nas alturas (montanhas ou altas árvores). Aproveita ninhos abandonados ou constrói novo. O local de ninho preferido é onde a presa pode ser avistada facilmente. É volumoso e é composto de varas, ramos, raízes, ervas daninhas, e mato. Com o ninho construído no alto, mantém-se acima do perigo (prudência). A Bíblia diz que devemos ser puros como pombas e prudentes com a serpente.
Olha para o sol
O olhos da águia olham em direção ao sol (Com uma membrana nictante é o único ser que pode olhar direto para o Sol. Uma estorinha contada sobre uma águia que é criada como galinha, diz que depois de várias tentativas de que a águia se lembrar de como era ser uma águia, quando o biólogo a coloca olhando em direção ao sol, ela se desperta e voa alto recuperando a sua alma de águia.
Voa acima das nuvens
Enxerga bem o alvo
Corre em direção ao alvo
A águia é um animal veloz (percorre 300 km por hora).
“...corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé... Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas.”
O cristão corre, não se arrasta. Ele caminha e faz a obra do Senhor com o melhor de suas forças e persevera (na oração, na obra, na oposição ao pecado, no combate ou na provação). Paulo parece oferecer o segredo desse vigor: considerar Cristo e o que ele suportou. A fim de que não nos deixarmos abater pelo desânimo.
O ritmo da missão e o ânimo para desenvolvê-la vai depender do nosso olhar para Cristo.
Faz o trabalho sujo
A águia é uma ave de rapina que tanto caça animais vivos quanto se alimenta de animais mortos, limpando a natureza dos despojos de outros animais.
A Bíblia diz que ela vai estar onde há morte. E nós também.
Nosso lugar é onde há pecado e o Reino de Deus ainda não se estabeleceu. Jesus falou que não tinha onde reclinar a cabeça. E muitas vezes nós queremos como os discípulos montar tendas onde tudo está muito bem e a glória do Senhor está manifesta. Não nos interessa trabalhar se há dificuldades, queremos conforto, apoio, dinheiro disponível, equipes perfeitas, professores e líderes dóceis e acessíveis a nossa proposta. Nosso lugar não é no conforto. Nosso ministério é de abrir picadas onde não há caminho. Não fomos chamados para a sombra e a água fresca. Fomos chamados a carregar fardos.
Estar disposto ao trabalho sujo e pesado pode definir o resultado da missão
Trabalha em equipe
Vive em dupla (fiel a uma única companheira). Formam casais, e um casal precisa até 35 milhas de território para caçar. Um casal de águias caça frequentemente em conjunto: um persegue a presa até a cansar e o outro desce rápido e apanha-a!
Somos convidados ao trabalho no Corpo de Cristo. Não há espaço pra solidão, pra sobrecarga, para o autoritarismo, pro individualismo. É trabalho em equipe, em interdependência, onde buscamos caminhar juntos, em acordo; crescendo na convivência, respeitando e suportando uns aos outros.
Considerando que o trabalho pode ganhar um ritmo diferente do nosso pessoal, mas certamente será enriquecido pela contribuição do outro. Em alguns momentos teremos uma liderança e em outros estaremos na liderança. O que não significa que ninguém está em posição superior ao outro, mas em funções que exigem diferentes resultados e respostas.
Jesus apresenta o seu ministério caminhando em equipe, formando uma liderança. A solidão não faz parte do trabalho do Reino e sim a corporação. O Espírito distribui dons para que colaboremos na missão, do contrário teria dado todos os dons a uns só - escolhidos. E não é assim.
Estar aberto ao trabalho em grupo fará diferença na missão.
Conclusão
Portanto, a missão a nós confiada vai depender:
- de estabelecermos o nosso ninho (de nos) é ao lado do Pai.
- de direcionarmos o nosso olhar para as alturas.
- de ter esperança em meio às adversidades e nos colocarmos acima delas.
- de enxergar com clareza os campos da missão.
- de manter o ritmo da missão e o ânimo olhando para Cristo e considerando o que ele sofreu.
- de estar disposto ao trabalho sujo e pesado.
- de estar aberto ao trabalho em equipe, como corpo.
Que possamos usar a águia como exemplo e trazer à memória que a missão vai depender dessas características para ser bem sucedida.
E que o Deus criador e sustentador de todo o universo nos capacite e sustente a cada dia no desenvolvimento da missão do Reino de Deus!!
Missionária Fabiana Alcantara
uma companheira que lhe seja suficiente."
(Gn 2.18)
Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que o amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que "já não se amam mais", como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas.
Talvez por estas duas razões -- o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência -- nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo "até que a morte vos separe", cresce a cada dia.
Acredito que existe uma peça do quebra-cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessidade de desmistificar este conceito de amor que serve de base para a vida a dois. Afinal de contas, o que é o amor conjugal? Para muitas pessoas, o amor conjugal é confundido com a paixão. Paixão é aquela sensação arrebatadora que nos faz girar por algum tempo ao redor de uma pessoa como se ela fosse o centro do universo e a única razão pela qual vale a pena viver. Esta paixão geralmente vem acompanhada de uma atração quase irresistível para o sexo, e não raras vezes se confunde com ela. Assim, palavras como amor, paixão e tesão acabam se fundindo e tornando-se quase sinônimas.
Este conceito de amor justifica afirmações do tipo: "sem amor nenhum casamento sobrevive", "sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena", "é o sexo apaixonado que dá o tempero para o casamento".
Minha impressão é que todas estas são premissas absolutamente irreais e falsas. Deus justificou a vida entre homem e mulher afirmando que não é bom estar só. Nesse sentido, casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante.
Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase.
Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia.
Casamento tem a ver com a certeza da presença no dia do fracasso e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade.
Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório.
Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos. A certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado.
Nesse sentido, não é certo dizer que sem amor nenhum casamento sobrevive, mas sim que sem casamento nenhum amor sobrevive. Não é certo dizer que sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena, mas sim que sem relacionamento nenhuma paixão vale a pena. Não é o sexo apaixonado que dá o tempero para a vida a dois, mas a vida a dois que dá o tempero para o sexo apaixonado. Uma coisa é transar com um corpo, outra é transar com uma pessoa. Quão mais valiosa a pessoa, mais prazeroso e intenso o sexo. Quão menos valorizada a pessoa, mais banal a transa.
Assim, creio que podemos resumir a vida a dois, entre homem e mulher, idealizada por Deus, em três palavras que descrevem um casal bem-sucedido:
Um casal bem-sucedido é um par de amantes.
Um casal bem-sucedido é um par de amigos.
Um casal bem-sucedido é um par de aliados.
São três letras A que fornecem a base de uma relação duradoura. Amante se escreve com A. Amigo se escreve com A. Aliado se escreve com A. E não creio ser mera coincidência o fato de que todas as três, amante, amigo e aliado, se escrevem com A... A de amor.
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O Ed René Kivitz é teólogo, com mestrado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, e pastor presidente da Igreja Batista de Água Branca, SP. É também palestrante e escritor, e dentre suas obras mais conhecidas estão "Vivendo com propósitos" e "Outra Espiritualidade", ambas publicados pela Editora Mundo Cristão.